Após ter sido recolhido no escaler e içado para o navio
havia o que fazer com o Tarzan.
O Comandante das tropas embarcadas achou por bem prende-lo,
para que, acima de tudo, não fizesse outra das dele. Não por que pudesse
desertar que, do navio, só se fosse a nado para terra.

O Niassa tinha na proa duas construções em madeira que
deveriam ter servido de balneários, pelo menos pelo facto de ter uns canos
galvanizados que serviriam de chuveiro e que poderiam prestar-se para o efeito.
Assim foi.O Tarzan lá foi enfiado numa dessas construções.

Quando nos aproximámos do Cabo das Tormentas, que de Boa
Esperança não tem nada, aquilo são ondas do tamanho do Sheraton pois, quando o
navio estava na crista via-se o mar numa extensão enorme e quando estava no
vale é ver água por todos os lados (aqui um parêntesis, tenho muito apreço e
consideração pelo Bartolomeu Dias que o dobrou e por todos os que após ele o
navegaram pois aquilo mete medo) o comandante quis libertá-lo.
Então fomos ter com ele dizendo-lhe que o Comandante queria
libertá-lo, que se aprumasse, vestindo um uniforme limpo, que fizesse a barba,
etc.
No dia em que o Coronel, ou lá o que era, foi visitá-lo,
com um séquito em que eu também ia, ao abrir a porta da “prisão” estava o
Tarzan pendurado pelos joelhos, num dos tubos, de cabeça para baixo, todo nu.
O Comandante ao ver aquilo ficou sem dizer palavra, deu
meia volta e foi-se embora.
Ao falar com o Tarzan disse-lhe que ele era maluco, que o
Comandante queria soltá-lo e não sei que mais.
Resposta dele:- “Se aquele gajo quiser falar comigo assim
muito bem, se não p.q.p”.
Claro que ficou preso até que o Comandante o libertou ainda
antes da chegada ao Cabo, pois se continuasse naquelas instalações era certo e
sabido que a esta hora o amigo Tarzan não estava no mundo dos vivos, pois a
amplitude das ondas era tal, que atravessavam o navio de ponta a ponta.
E assim a viagem chegou a Lourenço Marques sem mais
delongas.
Escreve: Militão Camacho